Archive for the Música Category

Duelo de bateras

Posted in Diversão, Música on maio 23, 2014 by Schaffner

O Jimmy Fallon chamou o Will Ferrel e o Chad Smith para um duelo de baquetas. Foi divertido e com um final matador.

 

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Réquiem para o Garagem

Posted in Balaio pop, Libido, Literatura, Música, Nostalgia on maio 22, 2014 by Schaffner

 

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A inauguração propriamente dita, uma semanas após abertas as portas, foi com um show da Graforreia Xilarmônica. A despedida, com o casarão (bem mais) decrépito e já às escuras, foi uma noite após a saideira oficial, com uma roda de moleques tocando violão no centro do que havia sido a mais insana pista de dança da cidade.

Do gênese ao apocalipse, com suas devidas subtramas involuntárias, a história do Garagem Hermética é dissecada em A Fantástica Fábrica, saborosa biografia da lendária casa noturna de Porto Alegre. Durante oito anos, o 386 da Barros Cassal quase esquina com Independência pertenceu a Leo Felipe, um piá de 19 anos que tinha pela frente uma promissora (?) carreira de bancário quando decidiu abandonar o posto de operador de telex para abrir um bar. A família reprovou, os colegas de trabalho debocharam, mas Leo seguiu firme em sua inconsequência adolescente. Acabou erguendo um templo à esbórnia, à chalaça, um lugar onde as pessoas eram loucas e superchapadas, onde a essa altura da manhã já não importa o nosso bafo.

Pelo piso que “só não ruía porque balançava” do Garagem passaram bandas seminais do rock gaúcho, mas também a mais variada fauna de habitués do Bom Fim naqueles insepultos anos 90. O bairro era uma terra de ninguém, com traficantes, prostitutas e travestis dividindo espaço com punks, metaleiros e hippies nostálgicos, junkies das mais variadas estirpes rompendo a madrugada à espera da próxima dose – e do próximo atraque, embora todos reagissem com dissimulada indiferença às constantes e ostensivas batidas policiais. Alguma hora da noite, em geral nas derradeiras, fatalmente eles desembarcavam no Garagem Hermética, incendiando a madrugada com a irrefreável sede dos vampiros impertinentes. Nas noites mais loucas, nem mesmo os raios do sol que cozinhavam a manhã lá fora eram capazes de interromper a farra garageira.

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Leo era um guri que no trabalho besuntava os cabelos de gel para esconder as fartas melenas, mas sob a gosma e por detrás dos inocentes óculos de grau mantinha latejante a vontade de “ser um astro de rock ou pintor famoso ou poeta maldito ou qualquer coisa bem artística rebelde experimental, tipo morrer jovem e belo”. Acabou se tornando um totem da noite porto-alegrense, daqueles a quem a gente tanto presta reverência quanto golpeia com um machado à busca de lenha pro fogo. Não havia inocentes, tampouco salvação nas madrugadas do Garagem.

Dono de um legítimo e indomável espírito punk, o Leo é hoje um quarentão ainda magro e despojado, formado em jornalismo e mestre em Artes Visuais, curador de exposições, apresentador de rádio, produtor de festas e escritor, dentre outras tantas atividades para as quais seja necessário mais peito do que vocação, mais ímpeto do que talento, mais instinto do que certeza. Continua seguindo à risca o do it yourself e mandando bem em tudo que faz.

Para concluir A Fantástica Fábrica, ele se recolheu a São José dos Ausentes, o lugar mais gélido do Rio Grande do Sul. Voltou de lá com um relato incandescente sobre as noites que gerenciou, os bêbados que aturou, os perrengues contornados e incontornáveis, a falência sempre iminente, enfim, uma memória vívida dos anos em que aquele casarão insalubre fez da vida dele e de muitos convivas um mausoléu de trepadas inesquecíveis, porres homéricos, um desfile freak dos mais inverossímeis personagens do way of night life porto-alegrense.

O melhor é que é tudo verdade. E que o Leo se lembrou para contar. É a soberania dos fatos sobre as lendas. O Leo não poupa ninguém, nem ele próprio. É drogas, sexo e rock’n’roll da primeira à última página, um retrato escarrado de uma virgindade descabaçada a fórceps por uma juventude que queria tudo ao mesmo tempo agora. Porteiros, habitués, seguranças, os sócios e os detratores, o dono da barbearia abaixo e o tiozinho de chambre que vez por outra irrompia a festa. Os vizinhos que jogavam ovos e água fervendo na vã tentativa de diminuir o barulho. Os fiscais da prefeitura com medidores de ruído em punho. Os traficantes e os ladrõezinhos. O playboy e a putinha. O Edu K e seus clones. O Júpiter Maçã e seus seguidores. Os artistas gráficos, os intelectuais, os cineastas e a repórter de TV corrida aos gritos de gorda. Se não deixa saudades nem arrependimentos, o Garagem Hermética deixa ao menos um legado. De que a noite pode ser uma festa que nunca termina, um lugar legal pra mim dançar e me escabelar, com gente legal e cerveja barata, onde as pessoas sejam mesmo afudê. Um lugar do caralho. O Leo conseguiu. Eternizou em letra de forma essa odisseia onírica que habitou aquelas noites intermináveis. Acabou-se. E um pouco de nós acabou-se com elas. Embora eu nunca tenha pisado lá.

P.S.: Pra arrematar, A Fantástica Fábrica tem ilustrações de Diego Medina e prefácio de Daniel Galera. Imperdível.

St Justice

Posted in Música on outubro 9, 2013 by Schaffner

Josh & Arctic

Posted in Música on outubro 4, 2013 by Schaffner

 

Messenger live

Posted in Música on setembro 4, 2013 by Schaffner

Show na íntegra do Johnny Marr no Glastonbury deste ano, tocando o discaço que é The Messenger, pra mim um dos melhores lançamentos de 2013.

Estado Violência

Posted in Música, Paranoia, Sabedoria on agosto 25, 2013 by Schaffner

Flechada certeira do Kenneth Serbin, no caderno Álias, do Estadão, uma das poucas ilhas de inteligência no jornalismo brasileiro. Na imagem, a capa da lendária Mad, que já nasceu clássica

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Em 1974, o presidente dos Estados Unidos, Richard M. Nixon, foi obrigado a renunciar ao cargo por causa da revelação de uma série de gravações secretas, feitas com equipamento especial, cujo alvo era uma única pessoa: o próprio presidente. As gravações demonstravam a cumplicidade de Nixon no arrombamento da sede do Partido Democrata, no edifício Watergate, em Washington, crime organizado por funcionários da Casa Branca.

Hoje, 40 anos depois, qualquer pessoa no mundo pode ser espionada através de sua correspondência eletrônica por agências governamentais extremamente poderosas, o melhor exemplo das quais é a Agência de Segurança Nacional (NSA) do governo americano.

Envolvida numa controvérsia sobre sua maciça vigilância a celulares e e-mails, feita em cooperação com empresas de telecomunicações, a NSA representa o mais recente casamento entre Estado e tecnologia.

Portanto, o que o funcionário da NSA Edward Snowden revelou ao mundo, com a ajuda de Glenn Greenwald, colunista do The Guardian, cujo parceiro brasileiro David Miranda foi preso por agentes britânicos por nove horas num aeroporto londrino no dia 18, em uma suposta ação antiterrorista, não deveria surpreender ninguém.

O filósofo francês Michel Foucault elaborou detalhadamente o conceito “do olho que tudo vê” do Estado moderno no livro Vigiar e Punir (Vozes). Os Estados-Nações têm utilizado as mais modernas tecnologias para observar, controlar, prender, fazer experiencias com pessoas e matar grupos específicos de indivíduos.

Ainda é possível visitar o que sobrou de campos de concentração europeus como Sachsenhausen, ao norte de Berlim, local de atrocidades cometidas pelos nazistas com recursos tecnológicos. Depois da 2ª Guerra, o lugar continuou funcionando como centro de extermínio administrado pelos soviéticos.
Nos EUA, a tecnologia nuclear recebeu grande impulso como projeto secreto respaldado pelo governo na corrida para a primeira bomba atômica. O governo americano tentou monopolizar sua capacidade nesse campo. Hoje, líderes mundiais lutam com as consequências dessa primeira bomba, tentando impedir a proliferação de material nuclear e know-how que terroristas e Estados como Irã e Coreia do Norte poderiam empregar.

O sucesso dessa luta baseia-se na ideia de perpetuação do monopólio atômico sob controle do Estado ou de um grupo de Estados.

Nas comunicações, tal monopólio é impossível em sociedades democráticas porque a tecnologia se difundiu extraordinariamente. Até mesmo em sistemas autoritários, como a China, é difícil para o Estado evitar tal impacto.

Esse emprego da tecnologia fora da esfera governamental é mais uma razão pela qual não deveríamos nos surpreender com as revelações de Snowden. Muitos americanos já manifestaram preocupação com a possibilidade de empresas como Facebook e Google coletarem e usarem informações de usuários. Em conjunto, essas organizações tornam irrisória a capacidade de coleta de informações pelos governos. A vigilância maciça com emprego de recursos tecnológicos é a nova realidade de nosso dia a dia.

Enquanto Nixon, se quisesse, poderia ter destruído fitas da Casa Branca e apagado para sempre as informações nelas contidas, nossas informações digitais são um fato consumado.

Ao revelar que uma ordem para o jornal entregar ou destruir as informações digitais recebidas de Snowden veio do governo britânico, o editor do Guardian, Alan Rusbridger, considerou “sem sentido” a destruição de discos rígidos do jornal, dada a existência de cópias no exterior.

Cada vez que alguém navega pela internet, manda e-mails ou faz chamadas pelo celular, cada clique no teclado pode ser recuperado e analisado. Praticamente qualquer pessoa pode nos espionar.

O Estado que tudo vê de Foucault tornou-se a sociedade que tudo vê. O perigo para os sistemas políticos é que certos grupos – governamentais, privados ou criminosos – podem usar secretamente essas valiosas fontes de informação.

Portanto, “tudo ver” não equivale a “superintendência”. A esse respeito, a revelação de Snowden estimulou um debate importante sobre o alcance do Estado. Se não forem supervisionados e confrontados por uma imprensa forte, líderes e agências governamentais podem abusar mais facilmente do poder, sem falar nos possíveis fins criminais no uso da informação.

Sem uma supervisão ou sem uma imprensa livre, países do bloco soviético perpetraram a degradação ambiental e ignoraram suas trágicas consequências para o povo em geral.

A revelação de Snowden também nos lembra, mais uma vez, do delicado equilíbrio entre a necessidade de frustrar ataques terroristas, de um lado, e a defesa das liberdades civis e da imprensa, de outro.

A imprensa também se tornou vítima da sociedade que tudo vê. Talvez tão deletéria quanto a tentativa de bloquear a cobertura de Snowden e da NSA pelo Guardian seja o enfraquecimento da imprensa diante da competição representada por novas fontes de informação.

Os jornalistas e outras pessoas comprometidas com uma sociedade livre devem, em última análise, encontrar maneiras de usar a sociedade que tudo vê para recriar e fortalecer a noção de supervisão – tanto do governo quanto do setor privado./ TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

KENNETH SERBIN É CHEFE DO DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE DE SAN DIEGO. FOI PRESIDENTE DA BRAZILIAN STUDIES ASSOCIATION DE 2006 A 2008

* O título do post faz referência a uma música dos Titãs que você pode conferir aqui

O que diz Otto

Posted in Música on agosto 23, 2013 by Schaffner

O novo clipe do Otto. Massa.