Archive for the Balaio pop Category

Qualquer semelhança…

Posted in Balaio pop on dezembro 15, 2014 by Schaffner

Um filme

Um comentário

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Réquiem para o Garagem

Posted in Balaio pop, Libido, Literatura, Música, Nostalgia on maio 22, 2014 by Schaffner

 

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A inauguração propriamente dita, uma semanas após abertas as portas, foi com um show da Graforreia Xilarmônica. A despedida, com o casarão (bem mais) decrépito e já às escuras, foi uma noite após a saideira oficial, com uma roda de moleques tocando violão no centro do que havia sido a mais insana pista de dança da cidade.

Do gênese ao apocalipse, com suas devidas subtramas involuntárias, a história do Garagem Hermética é dissecada em A Fantástica Fábrica, saborosa biografia da lendária casa noturna de Porto Alegre. Durante oito anos, o 386 da Barros Cassal quase esquina com Independência pertenceu a Leo Felipe, um piá de 19 anos que tinha pela frente uma promissora (?) carreira de bancário quando decidiu abandonar o posto de operador de telex para abrir um bar. A família reprovou, os colegas de trabalho debocharam, mas Leo seguiu firme em sua inconsequência adolescente. Acabou erguendo um templo à esbórnia, à chalaça, um lugar onde as pessoas eram loucas e superchapadas, onde a essa altura da manhã já não importa o nosso bafo.

Pelo piso que “só não ruía porque balançava” do Garagem passaram bandas seminais do rock gaúcho, mas também a mais variada fauna de habitués do Bom Fim naqueles insepultos anos 90. O bairro era uma terra de ninguém, com traficantes, prostitutas e travestis dividindo espaço com punks, metaleiros e hippies nostálgicos, junkies das mais variadas estirpes rompendo a madrugada à espera da próxima dose – e do próximo atraque, embora todos reagissem com dissimulada indiferença às constantes e ostensivas batidas policiais. Alguma hora da noite, em geral nas derradeiras, fatalmente eles desembarcavam no Garagem Hermética, incendiando a madrugada com a irrefreável sede dos vampiros impertinentes. Nas noites mais loucas, nem mesmo os raios do sol que cozinhavam a manhã lá fora eram capazes de interromper a farra garageira.

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Leo era um guri que no trabalho besuntava os cabelos de gel para esconder as fartas melenas, mas sob a gosma e por detrás dos inocentes óculos de grau mantinha latejante a vontade de “ser um astro de rock ou pintor famoso ou poeta maldito ou qualquer coisa bem artística rebelde experimental, tipo morrer jovem e belo”. Acabou se tornando um totem da noite porto-alegrense, daqueles a quem a gente tanto presta reverência quanto golpeia com um machado à busca de lenha pro fogo. Não havia inocentes, tampouco salvação nas madrugadas do Garagem.

Dono de um legítimo e indomável espírito punk, o Leo é hoje um quarentão ainda magro e despojado, formado em jornalismo e mestre em Artes Visuais, curador de exposições, apresentador de rádio, produtor de festas e escritor, dentre outras tantas atividades para as quais seja necessário mais peito do que vocação, mais ímpeto do que talento, mais instinto do que certeza. Continua seguindo à risca o do it yourself e mandando bem em tudo que faz.

Para concluir A Fantástica Fábrica, ele se recolheu a São José dos Ausentes, o lugar mais gélido do Rio Grande do Sul. Voltou de lá com um relato incandescente sobre as noites que gerenciou, os bêbados que aturou, os perrengues contornados e incontornáveis, a falência sempre iminente, enfim, uma memória vívida dos anos em que aquele casarão insalubre fez da vida dele e de muitos convivas um mausoléu de trepadas inesquecíveis, porres homéricos, um desfile freak dos mais inverossímeis personagens do way of night life porto-alegrense.

O melhor é que é tudo verdade. E que o Leo se lembrou para contar. É a soberania dos fatos sobre as lendas. O Leo não poupa ninguém, nem ele próprio. É drogas, sexo e rock’n’roll da primeira à última página, um retrato escarrado de uma virgindade descabaçada a fórceps por uma juventude que queria tudo ao mesmo tempo agora. Porteiros, habitués, seguranças, os sócios e os detratores, o dono da barbearia abaixo e o tiozinho de chambre que vez por outra irrompia a festa. Os vizinhos que jogavam ovos e água fervendo na vã tentativa de diminuir o barulho. Os fiscais da prefeitura com medidores de ruído em punho. Os traficantes e os ladrõezinhos. O playboy e a putinha. O Edu K e seus clones. O Júpiter Maçã e seus seguidores. Os artistas gráficos, os intelectuais, os cineastas e a repórter de TV corrida aos gritos de gorda. Se não deixa saudades nem arrependimentos, o Garagem Hermética deixa ao menos um legado. De que a noite pode ser uma festa que nunca termina, um lugar legal pra mim dançar e me escabelar, com gente legal e cerveja barata, onde as pessoas sejam mesmo afudê. Um lugar do caralho. O Leo conseguiu. Eternizou em letra de forma essa odisseia onírica que habitou aquelas noites intermináveis. Acabou-se. E um pouco de nós acabou-se com elas. Embora eu nunca tenha pisado lá.

P.S.: Pra arrematar, A Fantástica Fábrica tem ilustrações de Diego Medina e prefácio de Daniel Galera. Imperdível.

Fino traço

Posted in Balaio pop on março 15, 2014 by Schaffner

Liniers, um documentário

Twin Peaks

Posted in Balaio pop on fevereiro 25, 2014 by Schaffner

Trilha sonora do apocalipse

Posted in Balaio pop on janeiro 23, 2014 by Schaffner

Luiz Carlos Merten, crítico de cinema do Estadão, escreveu sobre Metallica Through the Never, o filme de Nimrod Antal sobre o Mettalica. Ambientado num futuro distópico, o filme parece meio over. Mas a sonzeira é demais. Veja os dois trailers do filme e o texto do Merten .

Luiz Carlos Merten – O Estado de S. Paulo

Fãs de rock vão ficar de fôlego acelerado com o filme de Nimrod Antal sobre o Mettalica. Você sabe quem é ele – o diretor de Predadores, com Alice Braga e Adrien Brody. Antal propõe agora um documentário nas bordas da ficção – ou vice-versa – sobre a banda, uma das mais populares e influentes da história do rock.

A trilha sonora do longa concorre em uma categoria no Grammy, que acontece no próximo domingo.

O filme soma material de arquivo e imagens e sons colhidos numa apresentação ao vivo, numa arena lotada. O formato é 3-D, o que ajuda a tornar tudo mais espetacular. E é um achado a tiete (Dane DeHaan) que persegue os integrantes da banda, numa trama futurista/apocalíptica. Ok, nem tudo é convincente, ou melhor, nada é muito convincente, mas como experiência visual e sonora enche os olhos e arrebenta os tímpanos. Some Kind of Monster, faixa deSt. Anger que virou título de documentário (em 2004), é o apocalipse now do Mettalica.

 

Bowie &Pixies

Posted in Balaio pop on novembro 1, 2013 by Schaffner

O Matias lá no Trabalho Sujo levantou uma lebre interessante: e se o David Bowie excursionar com o Pixies de banda de apoio? O prórpio Franck Black teria cogitado essa hipótese na entrevista abaixo:

Pior é que faz todo o sentido. O Matias até publicou junto uma entrevista na qual o Bowie se diz fã do Pixies, comparando a banda ao Velvet Underground. Agora escuta só essa  música do último disco do camaleão e me diz se ela não é puro Pixies?

 

Lou morreu observando as árvores

Posted in Balaio pop on novembro 1, 2013 by Schaffner

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A carta da Laurie Anderson, publicada pelo jornal “East Hampton Star”, do Estado de Nova York, contando os últimos momentos de Lou Reed:
“Aos nossos vizinhos: que outono lindo! Tudo brilhando e dourado e toda aquela incrível luz suave. Água ao nosso redor. Lou e eu passamos muito tempo aqui nos últimos anos e, embora sejamos pessoas da cidade grande, esse é nosso lar espiritual. Na última semana, eu prometi a Lou que o tiraria do hospital e voltaria com ele para casa, em Springs. E conseguimos! Lou era um mestre do tai chi e passou seus últimos dias aqui sendo feliz e atordoado pela beleza e pelo poder e pela suavidade da natureza. Ele morreu no domingo, observando as árvores e fazendo a famosa posição 21 do tai chi, com apenas suas mãos de músico se mexendo no ar. Lou era um príncipe e um lutador, e eu sei que suas canções de dor e beleza no mundo vão encher muitas pessoas com a incrível alegria que ele tinha pela vida. Vida longa à beleza que descende e atravessa e sobrevoa todos nós.”