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Christopher Hitchens e a bebida
Postado em Sabedoria em dezembro 16, 2011 por Schaffner
“Não beba de estômago vazio: o principal sentido de se refrescar é melhorar a comida. Não beba se estiver deprimido: é uma péssima cura. Beba quando estiver bem-disposto. Álcool barato é uma falsa economia. Não é verdade que você não deve beber sozinho: esses podem ser os copos mais felizes que você entorna. Ressacas são outro mau sinal, e não se deve esperar que acreditem se você apelar dizendo que não se lembra da noite anterior. (Se você realmente não lembra, é um sinal ainda pior). Evite todos os narcóticos: eles o tornam mais chatos, não menos, e não são projetados – como a uva e os cereais – para animar a companhia. Tome cuidado quanto a subir o nível demais para uísque puro malte: quando você está viajando por países em conflito, ele não será fácil de achar. Nunca pense em dirigir depois de um gole. É muito pior ver uma mulher bêbada do que um homem: não sei bem por que isso é verdade, mas é. Nunca seja o responsável por isso.”
R.I.P., Hitchens
Solidão
Postado em Sabedoria em outubro 7, 2011 por Schaffner“A internet encontra-se ligada à questão de estar só. Torna-se cada vez mais difícil uma pessoa ficar sozinha com seus pensamentos, articulando suas ideias independentes. Antigamente, quando anoitecia ou escurecia, o mundo se recolhia consigo mesmo e suas ruminações. Hoje temos a eletricidade, a televisão, saímos de casa etc. Assim, podemos estar o tempo todo com outras pessoas, com outras coisas acontecendo. Suspeito de que todo esse frenesi pode nos impedir de desenvolvermos a nós próprios e a nossas ideias. Somos permanentemente bombardeados pelas opiniões alheias. E a internet é mais um passo naquela direção: tudo e todos estão lá. É como agora os aviões incluírem pequenas televisões em cada cadeira — já não podemos ficar com as nossas divagações ou simplesmente contemplando a paisagem. Há sempre alguém por perto.”
Alain de Botton, na @revistapiaui de setembro, página 13, pinçado pelo Desculpe a poeira
Rock in Rio: vá sem drogas. Elas já estarão todas lá
Postado em Sabedoria em agosto 31, 2011 por SchaffnerWe are the world of coxinhas
Mais uma punhalada certeira do Matias, no Trabalho Sujo
Rock in Rio e tudo o que está errado no rock brasileiro hoje – e sempre
O vídeo acima resume como uma parte das cabeças que pensam o pop brasileiro entendem o significado de rock’n’roll ou mesmo de música pop hoje – e sempre. É só um desfile vergonhoso de gente que entende a própria carreira como cotista do mercado de atenção de hoje em dia – um show de celebridades querendo aparecer a qualquer custo. Dá pra tecer teses inteiras sobre quais são os artistas envolvidos e o que eles têm a ver com o assunto principal do festival ao mesmo tempo em que dá pra entender porque o Rock in Rio ainda pesa no imaginário brasileiro. E é claro que não deixa de ser constrangedor ver o Emicida surfando nessa onda, mas ele sempre quis ir nessa direção, não vamos culpá-lo por isso. Ele iria se fosse no Faustão, na Xuxa ou na Hebe, sua meta sempre foi o pop. O fato de seu momento pula-tubarão ser no meio desse febeapá do século 21 é só mais uma lembrança do velho deitado chinês: cuidado com o que tu sonha.
A rebelião dos cretinos fundamentais
Postado em Sabedoria em agosto 23, 2011 por SchaffnerAntológico. Otto Lara Resende entrevista Nelson Rodrigues
O monstro
Postado em Sabedoria em agosto 20, 2011 por Schaffnerdo Luis Fernando Verissimo
Marx não chegou a pedir que esquecessem tudo que ele tinha escrito, mas confessou que a invenção do trem e do navio a vapor o forçavam a repensar algumas das suas teorias sobre o futuro do capitalismo.
Os seguidores de Ned Ludd, chamados luditas, trabalhadores na indústria têxtil inglesa, se revoltaram contra a invenção de teares automatizados que ameaçavam seus empregos no começo do século 19 e pregavam a destruição de todas as máquinas que substituíssem o trabalho humano.
A história social e econômica dos Estados Unidos se divide em antes e depois da massificação, pela Ford, da produção dos seus carros, que empestavam o ambiente, além de assustar os cavalos, e foram duramente combatidos.
Reações a novidades tecnológicas se repetem ao longo da História, movidas pelo medo à obsolescência, como no caso dos luditas, incompreensão ou apego ao passado. O capítulo mais recente e mais curioso dessa briga é a decisão do governo inglês de restringir o uso no país das redes sociais, que todo o mundo achava maravilhosas até revelarem um potencial subversivo que ninguém previra. Enquanto os tuiters e os facebooks animaram as revoltas contra os déspotas e por aberturas democráticas nas ruas árabes, tudo bem. Eram as redes sociais, o produto mais moderno da engenhosidade humana, usadas para modernizar sociedades atrasadas. Mas descobriram que os quebra-quebras e queima-queimas nas ruas inglesas estavam sendo, em grande parte, também tramados na internet. Epa, disseram os ingleses, ou o equivalente em inglês. Aqui não. Conservadores e trabalhistas se uniram para condenar a violência e o vandalismo e negar qualquer outra motivação, além de banditismo nato, para a rebelião. E todos, presumivelmente, concordaram com as medidas do governo para evitar novos distúrbios, incluindo o controle das redes sociais.
Resta saber se o controle ainda é possível. O monstro talvez não seja mais domável. Já acabou com qualquer pretensão a se manterem segredos oficiais secretos, já invadiu a privacidade de meio mundo e tornou a pornografia acessível a todas as idades e já sentiu o gosto do sucesso como instigador de revoltas – sem falar que ninguém mais consegue viver sem ele.
Agora pode não haver mais o que fazer. Se tivessem parado na invenção do trem…















































